10 July, 2007

Criminalidade

Savana, A talhe de foice Machado da Graça

A verdade é que, apesar de todos os avisos, a situação da criminalidade tende sempre a agravar-se e não a melhorar. A razão é simples: o crime organizado está intimamente associado à elite político-económica e/ou a elementos destacados das próprias forças policiais e isso garante a impunidade dos criminosos. Controlando as forças de defesa da legalidade (Polícia, PGR e tribunais) essa elite consegue que ninguém seja culpabilizado seja pelo que for. Estamos num país abençoado em que há uma enorme criminalidade, mas não há um único criminoso. E serão poucos os países que se podem gabar da mesma coisa. Tudo isto num país em que o último Governo eleito fez discursos de acabar com este tipo de coisas. Discursos que, tal como tantos outros (“deixa-andar”, corrupção, jetrofa, etc.), foram sendo abandonados sem nenhuma razão apresentada.

Moçambique: Factura europeia

Expresso Bate-fundo
POR estas alturas, os europeus esfregam as mãos de contente, sabido que a eleição das assembleias provinciais não pode ir avante sem o envolvimento directo da Comissão Europeia, nada mais nada menos, que o maior doador interna-cional quando se trata de um proces-so deste género no país. É que os tipos andam aborrecidos pelos acontecimentos de 2004, quando das eleições presidenciais e legislativas, em que os observadores europeus para cá enviados, foram copiosamente humilhados, em virtude de não lhes ter sido concedido acesso a todo processo eleitoral da época. Embora tenham, no final, classificado de “transparente”, “livre” e apontado os resultados eleitorais como sendo “aceitáveis”, os gajos andaram às críticas, dando a entender que da próxima irão necessitar dos nossos préstimos. Aí, dirão eles, é que irá torcer a porca. E está a porca está efectivamente a torcer. Com a eleição das as assembleias provinciais a aproximarse,
por cá anda-se à procura de dinheiro para sustentar o processo, e os europeus não parecem motivados a avançar, pelo menos até ao momento. É caso para dizer: estámos a pagar uma velha factura... Pior: quem tenta negoceiar com os europeus é Alcinda Abreu, que em 2004 esteve na CNE.